Cidadeverde.com

Da bravura à intolerância

Depois de ceder às reivindicações dos caminhoneiros, o governo federal contava com o fim da greve. Só que, agora, a paralisação perdeu o controle e já não se trata mais apenas de uma manifestação de uma categoria com pauta específica. Os oportunistas de plantão viram na força dos caminhoneiros a oportunidade para tirar uma casquinha e estão alimentando um protesto que começou com o apoio da sociedade, mas já está chegando à exaustão.

Ontem, a declaração dos representantes da Associação Brasileira dos Caminhoneiros – Abcam –  de que se sentiam contemplados em sua pauta de reivindicações e que, portanto, não viam mais sentido na continuidade da greve deixou claro que o movimento não é mais apenas dos motoristas de caminhão.

É preciso ter cuidado com esse nível de manipulação que leva muita gente de boa fé a apoiar um movimento, sem saber exatamente o que se passa nos seus bastidores. O protesto  contra o aumento abusivo dos combustíveis é mais do que justo. Por mais que houvesse a necessidade de recuperar o equilíbrio financeiro da Petrobrás, a política de reajustes diários é inconcebível, ainda mais quando o mesmo governo que autoriza os aumentos celebra uma inflação acumulada de pouco mais de 2% nos últimos doze meses.

No entanto, tão importante quanto a coragem de deflagrar um movimento dessa dimensão por uma causa pela qual vale a pena lutar é saber o momento exato de parar. Quando há esse equilíbrio, os manifestantes saem vitoriosos, com conquistas reais e o respaldo da população. Ao contrário, quando perdem a medida, passam a imagem de intolerância, servem de instrumento a interesses obscuros e ainda geram prejuízos incalculáveis em todos os setores.