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Só a vitória nos interessa

Nós, brasileiros, já estamos tão descrentes e desolados com a realidade do nosso país que aprendemos a nos conformar com o mínimo, celebrando quase derrotas como se fossem vitórias. Até mesmo em um quesito no qual costumávamos apresentar um alto padrão, como o futebol, vamos nos contentando com o “podia ser pior”, “pelo menos, empatamos”.

Nos últimos tempos, as perdas têm sido tantas e tão frequentes que o empate já nos basta para alentar o coração. Se não conseguimos o emprego dos sonhos, com um salário que banque todas as despesas de casa, ficamos satisfeitos só de não estar desempregados.

Quando somos assaltados e, infelizmente, isso tem sido assustadoramente constante, ainda nos confortamos dizendo: “pelo menos, saímos vivos”. Ouvimos diariamente notícias de dengue e zika se alastrando pelo país, mas nosso egoísmo fala baixinho no ouvido: “ainda bem que eu nunca tive”.  Mas, até quando a mediocridade será nosso limite de aspirações?

Já não está passando da hora de celebrarmos conquistas verdadeiras, com brasileiros campeões de verdade, na educação, na pesquisa científica, na gestão pública, na cidadania e, sim, também no futebol? Porque, mesmo morando em um país tão rico, achamos normal catarmos as migalhas, quando poderíamos estar participando de um banquete de verdade? Cobramos a melhor performance do Neymar, do Gabriel Jesus, mas esquecemos de fazer o mesmo com nossos representantes no Executivo, Legislativo  e Judiciário. Enquanto agirmos assim, nunca passaremos do empate.