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PM sofre na pele para garantir segurança aos piauienses

A Polícia Militar do Piauí completa 183 anos em um momento delicado de celebração pelo trabalho prestado em quase dois séculos de história e, ao mesmo tempo, de preocupação pelas deficiências que precisa administrar diariamente para combater a violência que assusta e aterroriza os piauienses. As dificuldades começam pelo déficit de pessoal. A corporação conta com cerca de seis mil policiais, quando deveria ter, pelo menos, onze mil, portanto, cinco mil a menos que o necessário.

Não bastasse essa defasagem na quantidade de profissionais, ainda há um descompasso entre os veículos e armas usados pelos bandidos e os que estão à disposição da PM. Enquanto os assaltantes roubam veículos novos e potentes para praticar crimes, os policiais fazem a ronda em veículos velhos e sucateados que, vez por outra, precisam ser empurrados por seus ocupantes. A mesma situação se repete no quesito armamento.

Para piorar, o policial militar que sai de casa diariamente para garantir a segurança da população não sabe se ele próprio voltará ao lar no fim do dia. Uma pesquisa mostrou que 33% dos policiais não chegam aos 60 anos de idade, morrendo dentro ou fora do serviço. Além de se colocarem em uma linha de altíssimo risco no enfrentamento ao crime, ainda sofrem de doenças constantes, decorrentes do alto nível de pressão psicológica e estresse a que são submetidos. Marginais chegam a ostentar uma tatuagem de palhaço no corpo para marcar cada policial assassinado por eles. O simples fato de estarem fardados já representa uma ameaça à vida dos PMs.

Some-se a isso os baixos salários das patentes mais baixas e se chega à conclusão de que a vida do policial militar não é fácil. Ao contrário, precisa de muita vocação, coragem e abnegação para assegurar a integridade dos outros, quando a sua própria está ameaçada.