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Por que apenas 2,4% dos jovens brasileiros querem ser professores

A carreira de professor não atrai o interesse dos jovens que estão cursando o ensino médio. O relatório de Políticas Eficientes para Professores, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE- revelou que apenas 2,4% dos alunos de 15 anos têm interesse no magistério. É um cenário desolador para o futuro da profissão.

Mas o desinteresse pela carreira tem seus motivos. Infelizmente, no Brasil, o professor não é valorizado como deveria, embora ele seja o responsável pela formação de todas as outras profissões. O piso nacional do magistério, aprovado no final do ano passado, estabelece o valor de R$ 2.455 para uma jornada semanal de quarenta horas. Uma quantia irrisória para o tamanho da responsabilidade que um professor carrega nos ombros e insuficiente até mesmo para a manutenção da família, quanto mais para o consumo de livros e periódicos, indispensáveis à sua formação.

Aqui no Piauí, nem mesmo esse piso é respeitado. Os professores do estado estão em greve há 20 dias porque o governo aprovou um aumento de apenas 2,05%, bem abaixo dos 6,81% definido pelo Ministério da Educação para garantir o piso do magistério.

Como se não bastasse a dificuldade financeira, os professores têm sido vítimas constantes da violência dentro e fora da sala de aula, seja por bandidos, que passaram a assaltar as escolas em plena luz do dia, seja pelos próprios alunos, ao menor sinal de contrariedade com a autoridade docente.

Numa breve comparação com a Finlândia, país que é modelo de educação para o mundo, constata-se um abismo gigantesco entre a realidade de lá e de cá. O magistério é uma das carreiras mais procuradas pelos jovens finlandeses, à frente de outras profissões prestigiadas como a de médico ou de advogado. O salário médio de um professor do ensino primário na Finlândia é de cerca de R$ 11 mil reais. E para ingressar na carreira, ele precisa ter, no mínimo, o grau de mestre. Precisa dizer mais alguma coisa?