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O anjo do Senhor volta pra casa

Em 1985, um anjo chamado Miguel assume a Igreja de Teresina, com o compromisso de trabalhar pelos pobres e necessitados da capital. Iniciava-se ali um pastoreio de 16 anos, marcado pela simplicidade, humildade, mas firme o bastante na defesa dos doentes, das crianças e adolescentes desprotegidos e de quem mais precisasse da sua assistência.

Dom Miguel Fenelon Câmara chegou de mansinho, sem fazer alarde. Não era afeito a pompas e cerimônias. Seu trabalho era silencioso, porém eficaz. Ao lado do inseparável amigo, Pe. Tony Batista, implantou uma obra social gigantesca, com inúmeros serviços de assistência a pessoas que não costumam ser vistas pela sociedade em geral.

Sob seu comando, a Igreja fundou o Lar da Fraternidade, que passou a acolher os pacientes soropositivos, até então, vistos com preconceito e, muitas vezes, abandonados pela própria família. Para manter o Lar em funcionamento, surgiu a Caminhada da Fraternidade que, desde o início, contou com seu apoio incondicional e presença cativa, até o ano passado. Este ano, infelizmente, Dom Miguel já se encontrava hospitalizado no dia da Caminhada.

Ainda na sua gestão à frente da Arquidiocese de Teresina, foram criados o Lar de Misericórdia, casa de acolhimento para pacientes em tratamento contra o câncer; o Centro Maria Imaculada, que presta assistência aos portadores de hanseníase; Lar Maria Menina, para prestar apoio a adolescentes grávidas, Pastoral do Menor, Casa de Zabelê, Projeto Periferia e tantos outros serviços.

No seu coração de pastor não havia espaço para críticas ou julgamentos, apenas o acolhimento fraterno, com a bondade própria dos santos. Depois de aposentado, optou por continuar morando em Teresina, cidade que aprendeu a amar e que correspondeu plenamente ao seu amor. O anjo do Senhor volta agora à sua morada para continuar a olhar por nós lá de cima.