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O que está por trás da PL do Veneno

Enquanto os consumidores brasileiros estão de olho grudado na TV para acompanhar o desempenho da nossa seleção nos gramados da Rússia, os jogadores do Congresso correm para marcar um gol em defesa da poderosa indústria de agrotóxicos, por meio do Projeto de Lei 6.299, batizado como PL do veneno, já aprovado em comissão e pronto para ser levado ao plenário da Câmara.

O projeto trata de flexibilizar mais ainda o comércio dos agrotóxicos, que passariam a ser chamados de fitossanitários,  uma espécie de eufemismo para suavizar o impacto negativo da palavra original. Hoje, dos 504 tipos de agrotóxicos permitidos no Brasil, 30% já foram proibidos na Europa, em função do risco comprovado que causam à saúde humana e ao meio ambiente. O Brasil, aliás, é campeão mundial em consumo de agrotóxicos, responsáveis pela contaminação de 64% dos alimentos comercializados no país, segundo dados da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, em conjunto com o Ministério da Saúde.

O excesso de agrotóxico está relacionado a várias doenças, como arritmias cardíacas, lesões renais, câncer, alergias respiratórias, doença de Parkinson, fibrose pulmonar, entre outras. Não por acaso, o Projeto de Lei em tramitação no Congresso já recebeu manifestações contrárias da ANVISA, Fundação Oswaldo Cruz, Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, IBAMA, Instituto Nacional do Câncer, Ministério Público e ONU.  Só para registrar: em 2014 o faturamento da indústria de agrotóxicos no Brasil chegou a U$ 12 bilhões . É bom o consumidor (e o eleitor) também ficar de olho.