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O que o mundo tem a aprender com a Tailândia

A comoção causada no mundo inteiro com a agonia dos garotos de um time de futebol e seu técnico, presos em uma caverna da Tailândia, deixou alguns ensinamentos ao mundo. A saga dos garotos durou mais de quinze dias, reunindo sentimentos como bravura, resiliência, disciplina, compaixão e solidariedade.

Até hoje, muita gente se pergunta como foi possível resgatar a equipe com vida. Apesar da lamentável perda de um mergulhador, a operação de salvamento foi considerada um sucesso. E isso só foi possível pela mobilização instantânea formada em torno do caso. Nessa hora, a solidariedade falou mais alto que qualquer diferença possível de crença, raça ou distância geográfica. Profissionais experientes de diversos países se colocaram à disposição para ajudar a retirar os garotos com vida da caverna. E, sob os olhares atentos do mundo, uma corrente de solidariedade se formou até o desfecho nesta terça-feira.

Enquanto do lado de fora os mergulhadores corriam contra o tempo, lá dentro o técnico tratava de acalmar os meninos, mantendo a serenidade necessária para suportar os difíceis dias no interior da caverna, sem iluminação, com ambiente úmido, sem comida e com o medo natural de não conseguirem sair. Apesar de todas as condições adversas, não houve pânico ou desespero.   

A espiritualidade cultivada naquele pedaço do planeta ajudou os garotos a suportar com paciência a provação que estavam passando. Habituados a acreditarem em um propósito maior na existência, nem mesmo os pais entraram em desespero ou pânico. Em nenhum momento acusaram o técnico. Ao contrário, enviaram a ele uma carta pedindo que ele não se culpasse pelo ocorrido.

Em tempos de tanta intolerância, individualismo e imediatismo, quantas lições a Tailândia nos trouxe nesses dias. É inevitável o contraponto com o que acontece no lado ocidental, nos Estados Unidos, quando a insensibilidade e o desprezo pela vida separam crianças pequenas de seus pais sem que elas possam sequer entender o que está acontecendo. O mundo ainda tem muito a aprender.