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O novo com cara de velho

É engraçado ver como a maioria dos eleitores brasileiros, incluindo aí os piauienses, fala em renovação na política porque está cansada do atual modelo, mas mantém os mesmos clãs nas cadeiras executivas e legislativas. A cada eleição, são poucas as caras novas com chances reais de vitória.

Quando se cansam da disputa eleitoral, os velhos caciques colocam seus filhos, sobrinhos e esposas para assumirem a vaga, como se o cargo que ocupam fizesse parte de uma herança familiar. Os redutos eleitorais são como feudos particulares destinados ao seu bel prazer.

O que deveria ser uma reforma política profunda, capaz de mudar as velhas práticas colonialistas, só serviram para reforçar ainda mais o poder dos que já detêm um mandato. A instituição do Financiamento Público de Campanha, além de não eliminar o Caixa 2  ( supostamente a razão da sua criação), concentrou ainda mais o poder nas mãos dos que controlam a agremiação partidária quase que como uma propriedade particular, distribuindo os recursos para as campanhas das mesmas figuras já carimbadas na política.

É bem verdade que isso acontece com a conveniência do eleitor que, em público, reclama da manutenção do velho esquema, mas, no silêncio da urna, acaba confirmando as mesmas caras. Se manifestasse no privado a mesma insatisfação que demonstra nas conversas de rua, o eleitor votaria em quem realmente representasse uma novidade na eleição, sem esquecer de pesquisar, antes, sua biografia e suas ideias para que a decepção não seja maior ainda.