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Incêndio no Museu Nacional põe em alerta Museu do Piauí

A tragédia que se abateu ontem à noite sobre o Brasil, com o incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro, nos remete à preocupação com nosso patrimônio histórico cultural no Piauí. O descaso com um dos maiores tesouros da cultura brasileira, abrigado em um palacete de 200 anos, é o mesmo que se vê de norte a sul do país. E aqui não é diferente.  A preservação da nossa memória é vista, erroneamente, pela maioria dos governantes, como uma atividade supérflua.

Há tempos, o Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, pedia socorro. Sem manutenção adequada, havia fissuras nas paredes, fios desencapados e outros sinais evidentes de que uma catástrofe estava prestes a acontecer. Agora, já não adianta lamentar. O que estava lá dentro, mal guardado e mal cuidado, foi irremediavelmente perdido. É a história que se desmancha nas cinzas do desgoverno.

Nossos prédios públicos, e os de cultura em especial, não fogem à regra. O Museu do Piauí também é um prédio antigo, de 1859, e que, portanto, possui uma estrutura que precisa ser renovada. No ano passado, o Museu passou por uma reforma, com a instalação de novas salas. Mas lá, como no Museu Nacional, não há um plano de prevenção e enfrentamento de incêndio.

E, também a exemplo do Rio de Janeiro, o Corpo de Bombeiros do Piauí não está preparado para combater um incêndio de grandes proporções. Por isso, as chamas que atingiram o  Museu Nacional não podem virar apenas lamento pelo que foi perdido, mas servir como alerta para que o que aconteceu ontem não volte a se repetir.

A diretora do Museu do Piauí, Dora Medeiros, foi aos prantos ao ver as imagens do fogo consumindo o Museu da Quinta da Boa Vista e, hoje cedo, enxugou as lágrimas e já encaminhou ofício ao Corpo de Bombeiros para pedir mais uma vistoria no prédio, a fim de evitar que aconteça por aqui o mesmo que aconteceu lá.