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A volta das teorias da conspiração

Causa preocupação  a frequência com que os candidatos dos extremos ( esquerda e direita), justamente os mais bem colocados nas últimas pesquisas de intenção de voto, vêm tentando disseminar a ideia de que qualquer outro resultado nas urnas que não lhes garanta a vitória é fraude.

A cantilena começou com o PT, ao propagar o slogan de que eleição sem Lula é golpe. Argumento totalmente desprovido de razão, vez que a Lei da Ficha Limpa, que impede o ex-presidente de ser candidato, foi assinada por ele mesmo, quando ocupava o comando do Planalto. Certamente, ao assinar a lei, não imaginava o alcance da Operação Lava Jato.

Agora, mais recentemente, Jair Bolsonaro (PSL) começa a insistir na tese de que as eleições podem ser fraudadas e, para isso, já arrumou até uma desculpa: a inexistência do voto impresso. Ontem, ainda extremamente debilitado por causa das duas cirurgias a que foi submetido após a facada que recebeu no último dia 6, ele gravou um vídeo, no leito do hospital, para dizer que o PT arma uma fraude nas urnas.

O discurso de Bolsonaro é uma justificativa prévia para o que pode acontecer nas urnas em razão do altíssimo índice de rejeição que o candidato apresenta. Aliás, a rejeição a Bolsonaro é maior que o índice de intenção de votos de qualquer outro candidato, inclusive o dele próprio.

Tentar desqualificar o processo eleitoral é uma estratégia tola e antidemocrática. As urnas são auditadas e zeradas antes do início da votação. Nosso sistema eleitoral eletrônico permitiu uma votação ágil e sem o medo que havia anteriormente nos grotões do país de que o cabo eleitoral pudesse confirmar o voto comprado de determinado eleitor. É perigoso que o debate, nesta campanha, saia do campo das ideias e propostas para tornar o país melhor e enverede pelo campo fictício das ultrapassadas teorias da conspiração.