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De oásis a deserto

O incêndio que ameaçou a Uespi e outros prédios públicos próximos, como o Emater e a Secretaria de Desenvolvimento Rural, no bairro Pirajá, por pouco não se transformou em uma grande tragédia. As primeiras informações davam conta de que o fogo teria começado em uma vegetação próxima.

Nesta época do ano, os cuidados devem ser redobrados com terrenos baldios e espaços ocupados pela vegetação seca, combustível para o início de incêndio, ao menor descuido da população. Basta uma bagana de cigarro acesa, somada à baixa umidade do ar e à altíssima temperatura, para o pior acontecer. Até mesmo um caco de vidro pode funcionar como prisma, decompondo os raios de sol e gerando a faísca que pode precipitar o fogo.

Não é mera impressão dos moradores da capital. A cada ano, as temperaturas se elevam mais ainda, o tempo torna-se mais seco e quente. Muito pouco ou quase nada é feito em termos de melhoria das condições climáticas da cidade que, temo, pode tornar-se uma grande área de deserto no futuro.

A crescente impermeabilização do solo urbano, a derrubada da vegetação para construção de grandes empreendimentos imobiliários, a agonia dos rios Parnaíba e Poty, e o aumento no número de automóveis expelindo monóxido de carbono representam um perigoso agravante para o clima da cidade, que parece piorar em uma crescente assustadora.

A preservação de áreas verdes, de fontes de água e a contenção de hábitos poluentes são uma necessidade de extrema urgência se quisermos continuar habitando a cidade sonhada por Saraiva, justamente pela riqueza dos rios que a banham. Os dois rios, nosso maior patrimônio natural, de tão maltratados, já apresentam sinais de agonia. Os habitantes da cidade, outrora verde, agonizam junto com eles.