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Impunidade alimenta a revolta da população

Alguma coisa precisa ser feita no país para mudar as leis que permitem demasiada benevolência com o crime e ajudam a alimentar a sensação de impunidade, presente hoje na maioria da população brasileira. As penas aplicadas aqui são um acinte às vítimas e às suas famílias. Mesmo as mais severas são abreviadas no seu cumprimento, colocando o criminoso em liberdade após poucos anos em regime fechado.

Na última sexta-feira, os três adolescentes condenados pelo crime de estupro coletivo a um grupo de meninas na cidade de Castelo, em maio de 2015, deixaram o CEM ( Centro Educacional Masculino), após conquistarem a liberdade assistida. Os três foram encaminhados para o abrigo da Secretaria Estadual de Assistência Social.

À época, chamou atenção de toda a sociedade piauiense a brutalidade e frieza com que os adolescentes violentaram as meninas, que estavam reunidas para fazer umas fotos no alto de um morro. Eles não apenas as estupraram como as espancaram, o que levou uma delas à morte.

Pouco tempo depois, quando um deles resolveu contar tudo o que sabia, foi assassinado pelos colegas dentro do próprio CEM. Embora haja a repetida alegação de que são menores, o que se viu nesse episódio foi uma crueldade incomum até mesmo em adultos. Pior ainda, foi o cinismo desses adolescentes ao conquistarem a liberdade assistida. Saíram dando declarações afrontosas e ameaçadoras, certos de que estão acima da lei. E tudo leva a crer que  estão mesmo, do contrário, ainda iriam permanecer privados de liberdade por um bom tempo. Mas, por aqui, o crime parece compensar.