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Disputa entre os extremos

A nova pesquisa Ibope para presidente da República, divulgada ontem, aponta para a direção de um afunilamento entre os dois candidatos extremos de esquerda e de direita. Os candidatos da chamada terceira via, que representam o pensamento do centro, não conseguiram se viabilizar para chegar ao segundo turno. Ciro Gomes, do PDT, mais alinhado à esquerda, é o que chega mais próximo.

O centro se pulverizou em várias candidaturas que, isoladas, não conseguiram decolar. Se estivessem reunidas como alternativa  aos extremos poderiam romper a polarização existente hoje, que está levando o país a uma radicalização preocupante.

Bolsonaro mantém a liderança conquistada desde o início da campanha, mas esbarra em uma rejeição muito grande que compromete a sua vitória no segundo turno.  46% dos eleitores disseram que não votam no candidato do PSL de forma alguma. É um índice muito superior ao dos que se dispõem a votar nele.

Fernando Haddad, que teve um crescimento vertiginoso desde que foi lançado oficialmente como candidato, também tem uma alta taxa de rejeição: 30%. Ou seja , parece que o pleito vai ser definido por aqueles que não querem determinado candidato: seja do PT, seja do PSL. De fato, a escalada de Bolsonaro se deu muito menos por suas qualidades ou propostas e mais pelo fato de ele conseguir puxar para si a imagem de anti-PT.

De dentro da cela na Polícia Federal em Curitiba, onde cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula mostra que continua dando as cartas no jogo pela disputa presidencial. A onze dias da eleição, a novidade é que o número de indecisos diminuiu e limita-se, hoje, a 6% do eleitorado.