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As idas e vindas do Supremo

O Supremo Tribunal Federal deu mais uma contribuição para tisnar a imagem da mais alta Corte de justiça do país. O imbróglio sobre a autorização para uma entrevista solicitada pelo jornal Folha de São Paulo com o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde abril deste ano, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, revelou, mais uma vez, as desavenças internas e a briga entre egos que parecem não caber dentro das togas.

Em alguns casos, o partidarismo supera o compromisso com a lei e a isenção. Em outros, o que se vê é tão somente a disputa por quem ocupa mais espaço diante dos holofotes. Em qualquer um dos casos, o vai e vem das decisões só deixa transparecer para a população um clima de incerteza jurídica. Isso para não falar no bate-boca que, vez por outra, assume o protagonismo das sessões.

O ministro Ricardo Lewandowski havia concedido liminar, no final da semana passada, autorizando a entrevista com Lula na carceragem da Polícia Federal, mas, diante de um pedido de suspensão apresentado pelo partido Novo, o ministro Luiz Fux, que se encontrava no exercício da presidência suspendeu a liminar, o que provocou a ira de Lewandowski. Em novo despacho, ele desautorizou o Ministro Luiz Fux, em tom agressivo.

Ontem à noite, o Presidente do STF, Dias Toffoli, confirmou a decisão de Fux, proibindo a realização da polêmica entrevista. O fato lembra o episódio ocorrido por conta de uma decisão para soltar Lula, quando, a toda hora, uma nova decisão judicial surpreendia o Brasil.

Já foi dito, com muita propriedade, que o Brasil não é para amadores. Para acompanhar uma decisão da justiça brasileira, o cidadão não pode desgrudar os olhos do computador um segundo. Corre o risco de, enquanto ele vai à cozinha para beber um copo de água, encontrar uma situação completamente diferente na volta à tela do computador.