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Quando o fígado toma a frente do cérebro

Os últimos números da pesquisa Datafolha, divulgados ontem, apontam que a disputa do domingo vai ficar mesmo entre os candidatos Jair Bolsonaro, (PSL) e Fernando Haddad (PT). Os dois souberam capitanear sentimentos antagônicos da população, que movem paixões e mobilizam os militantes, reais e virtuais. A eleição será definida menos pelo perfil ou proposta de cada um dos dois candidatos e mais pelos modelos que combatem.

Um, de extrema direita, usa um discurso de ordem e disciplina para tirar de cena a ameaça da volta do PT ao poder, valendo-se das imagens do catastrófico exemplo da Venezuela, país vizinho que foi a nocaute com o governo Chavista, seguido por Nicolás Maduro, e que contou com a simpatia e o aporte financeiro do PT.

O outro, de esquerda, prega que a eleição de Bolsonaro significa a ascensão do fascismo no Brasil, com a ameaça da volta dos militares ao poder, evocando as tristes lembranças da ditadura instalada em 1964.

Sem conseguir uma bandeira que empolgasse a população entre esses dois extremos, o centro ficou desnorteado e, para piorar ainda mais, fragmentado. Resultado: nenhum dos candidatos que representam a chamada terceira via conseguiu emplacar. Os políticos do bloco conhecido como Centrão, supostamente apoiadores de Alckmin (PSDB), de olho no que poderão obter de vantagens a partir de janeiro, já começam a se bandear para a campanha de Bolsonaro. Fazem como os maus capitães de navio próximo a um naufrágio, pulando fora do barco sem se importar com a tripulação.

Se os ânimos foram exaltados até agora, muito mais deverão ficar no segundo turno, quando apenas os dois ocuparão o espaço do debate político. O sangue latino dos brasileiros faz com que os eleitores escolham o fígado, em vez do cérebro, durante a disputa eleitoral.