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As duas faces da democracia

As manifestações que ocuparam as ruas do Brasil ontem, colorindo as cidades de verde e amarelo, lembraram as passeatas de 2015 e, de certa forma, ambas tiveram o mesmo objetivo: dar um basta ao que aí está posto.  A multidão reunida em diferentes cidades foi além do esperado em uma expressão livre da democracia. O vento que arrastou gente de todas as idades e classes sociais se espalhou e, basicamente, já antecipou o resultado das urnas no próximo domingo, a menos que aconteça algum fato extraordinário. 

As imagens e a euforia provocadas pelos movimentos foram tão fortes que abafaram até mesmo a declaração desastrosa, para dizer o mínimo, do filho do presidenciável Bolsonaro, deputado federal eleito por São Paulo com uma avalanche de votos. Eduardo Bolsonaro disse que para fechar o Supremo Tribunal Federal não precisa nem de um jipe, basta um soldado e um cabo.

A declaração de Bolsonaro, o filho, é preocupante porque mostra o desprezo que ele tem pelo poder judiciário, e pior, pela mais alta Corte de justiça do país, instituição que representa um pilar indispensável para o regime democrático. Haverá sempre quem diga que ele é apenas o filho, não o pai, o verdadeiro candidato à presidência. De qualquer forma, é um deputado federal, e muito bem votado, diga-se de passagem. E é com esse pensamento que ele chegará à Câmara Federal. E é alguém muito ligado ao capitão Jair, está ali ao lado, partilhando suas ideias e pensamentos sobre o Brasil.

Jair Bolsonaro, que agora está em uma fase paz e amor, evitando entrar em qualquer confusão que possa balançar sua quase certa eleição, logo tratou de minimizar o que o filho havia dito. E foi além: disse que se alguém falou em fechar o  STF deveria procurar o psiquiatra. É bom mesmo. A democracia não admite esse tipo de susto. E não venham dizer que é só brincadeira. Com a justiça não se brinca, se respeita.