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O custo do afago do Senado ao STF

O governo de Jair Bolsonaro nem começou e já sente os efeitos da falta de compromisso do Congresso com a realidade brasileira. Por conta da situação  delicadíssima que o país enfrenta para manter o equilíbrio fiscal, com despesas bem acima da receita, o presidente eleito se comprometeu, desde a campanha, em reduzir o número de ministérios para diminuir o tamanho da máquina pública, hoje muito maior do que a eficiência dos ser viços prestados à nação. Mas isso não parece ter pesado na hora de os senadores votarem o aumento do salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que serve como base para o teto de funcionalismo público.

Na última quarta-feira, o Senado aprovou aumento de 16%, elevando os salários dos ministros da Suprema Corte de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. No pacote, foi junto o aumento para o cargo de procurador geral da república, nos mesmos valores dos colegas do STF.  Como cascata, o aumento puxa para cima os salários dos demais magistrados espalhados por todo o país, criando uma casta de servidores públicos cada vez mais distante das demais carreiras.

Cálculos feitos por consultorias da Câmara e do Senado mostram que o impacto na folha de pagamento do governo pode chegar a R$ 4 bilhões. Os senadores, no entanto, não estão nem um pouco preocupados com isso. A preocupação maior,ao que tudo faz crer, é agradar aos magistrados que irão julgá-los em futuro próximo, uma vez que muitos congressistas estão enrolados com a justiça até o pescoço na Operação Lava Jato.