Cidadeverde.com

Mais flexível, Bolsonaro acena para o Congresso

E a votação da Reforma da Previdência acabou mesmo ficando para 2019. Será o primeiro grande desafio do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).  Ele bem que tentou que o projeto fosse votado ainda este ano. Assim, ficaria livre do desgaste de ter que negociar com os parlamentares e ainda começaria o seu governo já com o projeto engatado. Não deu.

Nesses últimos dias que restam da atual legislatura não há mais fôlego para aprovar uma reforma de grande alcance como esta, embora os próprios congressistas ( pelo menos, a maioria) reconheçam que ela é vital para a recuperação do controle das contas públicas. Para complicar ainda mais, as declarações atabalhoadas do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, contribuíram para jogar uma pá de cal na pretensão de acelerar a votação.

Sem nenhum tato político, nem a menor noção de como as coisas funcionam em Brasília, o economista disse em entrevista coletiva que era preciso dar uma “prensa” nos parlamentares para que eles votassem o projeto. Não poderia ser mais desastroso na sua relação com o Congresso.

Mais moderado que na campanha, Bolsonaro reconheceu que a votação deverá ficar mesmo para 2019 e que, antes, vai apertar a mão dos colegas no Congresso. A indicação de que pretende um contato mais próximo, por meio do diálogo, é um bom sinal para quem foi visto até agora como autoritário. Outro sinal positivo na fala do futuro presidente, e que vai de encontro às falas apressadas de Paulo Guedes, é de que a reforma não pode levar em conta apenas os números, mas que é preciso observar os dados com “o coração.” E mais; “Tem de olhar os números e o social também.” Pouco a pouco, Bolsonaro vai se mostrando mais flexível e aberto a negociações. É o que se espera de um presidente.