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Mais médicos, menos ideologia

O governo Temer se apressou em dar uma resposta à saída dos profissionais cubanos do Mais Médicos, depois que Cuba anunciou que não iria mais participar do programa, ante as exigências anunciadas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, que alega que deixar os médicos longe da família e confiscar 70% do salário pago a eles é desumano. Ele disse ainda que iria exigir o Revalida para esses profissionais.

Convenhamos: nem Bolsonaro está preocupado com a situação trabalhista dos médicos cubanos, nem Dilma fechou o acordo com Cuba pensando na população carente dos municípios mais distantes. No primeiro caso, era uma forma de enviar dinheiro a Cuba; no segundo, de acabar com esse repasse para a ditadura dos Castro. O fato é que abriu-se um vácuo no atendimento que o governo brasileiro está tentando solucionar com a saída de cerca de 8,5 mil médicos cubanos.

No primeiro edital, publicado ontem no Diário Oficial, o governo abre vagas para médicos brasileiros e estrangeiros com inscrição no Conselho Federal de Medicina.  Os médicos selecionados deverão começar a trabalhar até o dia 3 de dezembro. Caso não sejam preenchidas todas as vagas, será lançado um novo edital no dia 27 de novembro.

Para manter os médicos nas cidades pequenas do interior, sem qualquer infraestrutura, o governo bem que poderia instituir a carreira médica, a exemplo do que acontece com os magistrados. Ao serem aprovados no concurso, os médicos seriam lotados nas cidades onde há mais necessidade e, ao longo do tempo, com a progressão da carreira, iriam alcançando cidades mais próximas, até chegar à capital. Com incentivo salarial e condições de trabalho é bem mais fácil manter o médico no interior. A outra medida seria exigir a contrapartida de pelo menos dois anos trabalhando no interior para médicos formados com a ajuda do Fies.

É hora de deixar as ideologias de lado e trabalhar com soluções definitivas para atender a médicos e pacientes de forma digna e respeitosa.