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Até quando os bebês continuarão morrendo?

De tantos problemas e mortes registradas em seu interior, a Maternidade Dona Evangelina Rosa já está deixando de ser caso de saúde pública para se transformar em caso de polícia. De setembro a outubro deste ano, o número de recém-nascidos mortos saltou de 14 para 29. Um salto assombroso, que levou o Conselho Regional de Medicina a adotar uma medida radical: a interdição da casa de saúde por 60 dias.

A decisão vale a partir de hoje, quando os médicos só atenderão os casos de alta complexidade. Os demais deverão ser encaminhados às maternidades municipais, na capital e no interior. Na prática, era o que deveria acontecer normalmente. A Maternidade Evangelina Rosa deveria receber apenas os casos mais graves, no entanto, por uma questão cultural ou de comodismo, gestantes de todos os níveis de complexidade se dirigem para lá.

O Conselho relata que a MDER não tem condições de atender à população com um mínimo de dignidade e que, lá, faltam insumos, equipamentos médicos como cateter e sondas e até mesmo anestésicos.

Impressiona é saber como se permite que a Maternidade que é referência no Estado chegue a esse ponto de descalabro, tirando a vida de bebês e provocando sequelas irreparáveis nas famílias enlutadas. Maternidade deveria ser lugar de vida, de alegria. Mas na Evangelina Rosa está acontecendo exatamente o contrário. E os gestores responsáveis, onde estão? Afinal, esta não é a primeira vez que denúncias desse tipo são trazidas a público. A pergunta que se faz é: até quando?