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A segurança não pode mais esperar

Antônio Rayron esperava o ônibus, esperava a hora de chegar em casa para descansar de um plantão cansativo no Hospital de Urgência de Teresina, esperava formar-se em medicina pela UFPI, esperava o dia de voltar para sua cidade natal com o diploma de médico e entregá-lo ao pai, que esperava ver o filho doutor.

Como ele,  todo o Piauí espera pelo dia em que poderemos sair para trabalhar ou estudar sem correr o risco de levar um tiro no peito. Assim como se espera pela punição rigorosa aos criminosos que, confiantes na impunidade, aterrorizam o estado com uma violência sem limite.

Os bandidos que assassinaram barbaramente o jovem estudante de medicina tiraram não apenas sua vida, mas levaram junto os sonhos de uma promissora carreira médica, roubaram os sonhos de um pai humilde, do interior, que desejava ver o filho formado; tiraram a esperança de tantos jovens, como a vítima, que acreditam que o esforço e a dedicação valem a pena; tiraram, enfim, a nossa paz.

O menino que veio do interior para estudar na capital era um idealista, dedicado, estudioso. Além de ingressar no disputado curso de medicina da federal, era estagiário do HUT. Queria aprender mais, ganhar mais experiência e, de sobra, algum dinheiro para ajudar nas despesas. Voltava para casa cansado, depois de um plantão de fim de semana. Poderia estar na balada, como tantos colegas da sua idade, mas preferiu trocar a diversão pelo trabalho. O estágio era parte complementar da sua formação, que não chegou a ser concluída.

Todas as esperas de Rayron e sua família foram em vão. Mas que não se perca a esperança de que a segurança pública venha a ser prioridade para nossos gestores, que venham a ser implementadas políticas de prevenção à criminalidade, que se invista com seriedade no aparelho de segurança, que se proporcione, enfim, a tranquilidade necessária para que todos os piauienses possamos viver em paz, realizando os seus sonhos e o de suas famílias.