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Arrogância de toga

O gracejo do Presidente Michel Temer com a turma da toga, ao sancionar o aumento de 16,38% para os ministros do Supremo Tribunal Federal, começou a produzir os temidos efeitos aqui também no Piauí. Embalado pelo teto salarial da turma de Brasília, chegou à Assembleia Legislativa do Estado projeto de lei para aumentar os salários dos desembargadores para R$ 35,4 mil, com repercussão de R$25 milhões na folha de pagamento.

Não que os magistrados não mereçam ganhar bem. Merecem e devem, assim como médicos, professores, agentes de segurança e tantos outros profissionais que trabalham no serviço público. A questão é de sensibilidade social para perceber o momento que o país está vivendo, depois de atravessar quatro anos de uma das piores recessões já sofridas.

O Brasil ainda está com as contas no vermelho, com uma projeção de crescimento pífia, 12 milhões de desempregados nas ruas, um rombo monumental nos números da previdência, investimentos parados, programas sociais suspensos e, em meio a esse cenário, a casta que recebe os mais altos salários do serviço público acha-se no direito de aumentar seus próprios ganhos, como se estivéssemos surfando em uma onda de prosperidade econômica.

Prevalece o velho espírito corporativista, no qual os interesses de uma categoria devem ser colocados acima das necessidades de uma nação inteira. Por isso se acham tão superiores, ao ponto de o ministro Ricardo Lewandowski chamar a polícia federal para prender um advogado porque este lhe disse que o Supremo era uma vergonha para o país. Com a atitude arrogante e autoritária do ministro, ele só conseguiu provar o que verbalizou o advogado e que está presente no pensamento da maioria dos brasileiros.