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Quanto o Brasil perde por ano com corrupção

Por cair em um domingo, a data passou quase despercebida. Mas, ontem, 9 de dezembro, foi celebrado o dia internacional de combate à corrupção, uma praga que assola o Brasil como erva daninha na plantação. O Fórum Econômico de 2017 apontou o Brasil como o quarto país mais corrupto do mundo, à frente apenas da Venezuela, Bolívia e Chade. Triste estatística para um país tão rico em cultura, biodiversidade e belezas naturais. Bem que poderia ser lembrado por estes atributos, mas a corrupção está roubando o protagonismo da imagem que predomina no Brasil.

Segundo cálculos do Ministério Público Federal, nosso país perde, por ano, cerca de R$ 200 bilhões para a corrupção. Só com a Petrobrás, a Polícia Federal estima um prejuízo que pode chegar a R$ 30 bilhões. É muito dinheiro desviado para os bolsos de quem deveria zelar pela correta aplicação dos recursos públicos. Os números chocam ainda mais quando se lembra da pesquisa recém-divulgada pelo IBGE, mostrando que um quarto da população brasileira vive na linha de pobreza, com renda familiar de R$ 387 mensais.

A corrupção rouba, portanto, não apenas cifras frias, mas, acima de tudo, rouba sonhos, esperanças, saúde e educação da população mais sofrida da nação. Tira a oportunidade de redução da abismal desigualdade econômica e social que ainda pesa sobre o Brasil. Por isso, o combate à essa praga não pode ficar restrito apenas aos órgãos de controle formais, como Ministério Público, Polícia Federal ou Tribunais de Contas. É o cidadão responsável que tem a obrigação de ficar vigilante com relação à aplicação do dinheiro que ele deposita na conta do governo sob a forma de impostos.

Da mesma forma, a sociedade precisa cobrar a punição aos criminosos de colarinho branco, não menos perigosos que os bandidos comuns. Agora mesmo, o Brasil inteiro precisa ficar de olho no Supremo Tribunal Federal para acompanhar as decisões dos senhores ministros, especialmente aqueles que trabalham descaradamente para conceder liberdade aos ladrões do Erário.