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A quem interessa a limitação do transporte por aplicativos?

Ainda está longe de acabar a polêmica acerca da regulamentação das Operadoras de Tecnologia de Transporte, que operam os transportes por aplicativos, mundialmente conhecida por conta da Uber, a mais popular de todas. Com a crise econômica que se estabeleceu no Brasil, deixando 14 milhões de pessoas desempregadas no seu pior momento, muitos brasileiros, e no Piauí não foi diferente, viram na Uber uma alternativa de trabalho para sustentar a família.

O serviço se ampliou rapidamente porque, se por um lado era uma opção de renda para quem não tinha nenhuma outra perspectiva, por outra, apresentava-se como uma alternativa de transporte barata, rápida e eficiente, que logo caiu no gosto do usuário. Foi o suficiente para despertar a ira dos taxistas, principais concorrentes do novo sistema.

Os taxistas alegam, com razão, que não pode haver concorrência predatória, já que eles pagam pelo alvará para poderem circular e têm de se seguir as normas estabelecidas pela Strans. Ok. Os motoristas do aplicativo teriam que ser submetidos a uma regulamentação, como era de se esperar. O problema foi a rigidez imposta no projeto de lei que regulamenta o serviço, aprovado ontem na Câmara Municipal de Teresina.

O projeto, que segue agora para sanção do prefeito, na prática, inviabiliza a operação do sistema. Um dos pontos mais polêmicos é a limitação no número de carros em cerca de dois mil. Ora, se está havendo demanda para mais que isso, por que limitar a oferta? A Prefeitura argumenta que a empresa operadora da Uber, a maior de todas, não fornece os dados solicitados sobre o sistema.

Nessa queda de braço, a principal prejudicada é a população. Os usuários, por verem restringido seu direito a um transporte mais barato e de qualidade. Os motoristas, por perderem uma fonte de renda honesta em tempos de desemprego acentuado. Essa briga ainda promete ir longe.