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Mexeu com uma, mexeu com todas

Já passam de quinhentas as denúncias formuladas ao Ministério Público contra o médium João de Deus, que atende em Abadiânia, com a promessa de cura para os mais diferentes tipos de doenças. Atraídos por essa esperança, homens e mulheres se deslocavam do Brasil inteiro, e até de outros países, confiantes de que ficariam sãos depois do atendimento feito pelo homem que ficou conhecido como “de Deus”.

Todas as mulheres que se dispuseram a ir ao Ministério Público, embora não se conheçam entre si, fizeram um relato muito semelhante sobre as práticas abusivas do médium. Centenas delas contaram que, em atendimento a portas fechadas, João de Deus abusava sexualmente delas, deixando-as, a um só tempo, constrangidas e receosas.

Sim, não é fácil denunciar alguém que é visto como um messias, um salvador, adorado por multidões. As vítimas temiam ser desacreditadas, humilhadas, perseguidas. Afinal, ele era o benfeitor da humanidade. Acontece que, caída a primeira carta, o castelo desmoronou. A voz de uma multiplicou-se e encorajou todas as outras que estavam caladas por medo ou vergonha.

Agora, o caso está com a justiça. E é preciso que a justiça seja feita. Não se pode aceitar calada que um homem se aproveite da condição de quem está fragilizada para submetê-la  aos seus instintos mais bestiais. Chegou a hora do “Mexeu com uma, mexeu com todas”. O fanatismo não pode esconder a chaga aberta no corpo e na alma de tantas mulheres abusadas em um momento tão delicado.