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Como achincalhar o país em três atos

Nem a previsão meteorológica podia prever uma quarta-feira tão nebulosa, sujeita a chuvas e trovoadas, com direito a muitos raios capazes de produzir curtos- circuitos na delicada rede da cidadania brasileira. Por alguns instantes, nuvens de instabilidade cobriram o país, deixando os brasileiros assustados.

A primeira surpresa veio com a decisão monocrática do Ministro do Supremo, Marco Aurélio Mello, anulando o entendimento anterior do plenário da Corte e resolvendo, por conta própria, que condenados em segunda instância não deveriam ficar presos, causando um alvoroço desnecessário no país. Com esta decisão, milhares de presos perigosos poderiam voltar a circular livremente nas ruas já durante as festas natalinas. O objetivo, no entanto, era soltar um preso específico: o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, preso na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, por corrupção e lavagem de dinheiro.

Poucas horas depois, o presidente do Supremo, em pleno recesso judiciário, desfez o que o colega de toga havia feito. Aliás, foi o próprio Dias Toffoli quem já havia determinado que no dia 10 de abril do próximo ano a discussão sobre a possibilidade de cumprimento da pena após condenação em segunda instância voltasse ao plenário. Marco Aurélio resolveu passar por cima da decisão do presidente e foi desautorizado, como era de se esperar.

Um outro integrante do mesmo STF, o Ministro Ricardo Lewandowski  suspendeu a medida que adiava para 2020 o aumento dos salários dos servidores públicos, provocando um impacto de R$ 4 bilhões para o futuro governo. Nenhuma preocupação com as contas públicas ou com a responsabilidade fiscal da nação que paga seu gordo salário.

Por falar em responsabilidade fiscal, esta também foi duramente golpeada, desta vez pelo presidente da Câmara, Deputado Rodrigo Maia, que, em substituição ao presidente Michel Temer, que se encontrava no exterior, tratou de sancionar rapidamente a lei que afrouxa os mecanismos de controle da LRF, retirando a punição prevista para os prefeitos que a descumprirem. Três atos de uma peça dramática que mostra o descompromisso dos nossos representantes com o Brasil e sua gente honrada.