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Arma de fogo calou a voz do autor do Estatuto do Desarmamento

Por uma dessas ironias inexplicáveis do destino, foi assassinado ontem, a tiros, o autor do projeto que estabeleceu o Estatuto do Desarmamento, o ex-governador do Espírito Santo e ex-senador, Gérson Camata. Na justificativa do projeto que deu origem à Lei 10.826/03, Gérson Camata salientou que “a onda de violência que vem se avolumando em nosso país, fartamente noticiada, tem como uma de suas principais causas a facilidade de obtenção e uso de armas de fogo”.

De fato, quanto mais armas em circulação, maior a violência.  Ontem também, só que aqui em Teresina, um promotor de eventos foi assassinado a tiros quando chegava à casa da mãe dele, acompanhado da mulher e do filho.  De posse de uma arma, uma rixa, ou um simples desentendimento, pode se transformar em um crime fatal.

Há poucos dias, um homem adentrou a catedral de Campinas, no interior de São Paulo, e começou a disparar a esmo contra os fiéis que se encontravam lá dentro. O ser humano, que carrega dentro de si um instinto selvagem, não está pronto para se armar. Pior, a arma que carrega consigo, supostamente para se defender, corre o risco de ser tomada pelo assaltante e voltar-se contra seu proprietário.

A cultura da violência deveria ser desestimulada, ao invés de incentivada. Além da indústria armamentista, a quem mais interessa liberar o mercado de armas? Alguém, em sã consciência, acredita que haverá um controle rígido na venda dessas armas e na avaliação psicológica dos seus compradores? Nem Papai Noel.