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Quem tem janela de vidro não usa estilingue

Na próxima terça-feira, mais que o início de um novo ano, os brasileiros assistirão ao início de um novo governo, com um estilo totalmente diferente dos que estiveram no comando do país nos últimos anos. Com um jeito linha dura, forjado na caserna, Jair Bolsonaro (PSL) tomará posse com a promessa de romper velhas estruturas políticas, alicerçadas no toma-lá-dá que caracterizou o Congresso nas últimas décadas. Foi assim a escolha dos nomes que irão compor o ministério, com muitos deles pinçados dos quartéis.

Bolsonaro se elegeu com o discurso de moralização da máquina pública e uma administração de resultados. A população, cansada de assistir à pilhagem do Erário, embarcou nessa onda e o consagrou como favorito, em uma campanha feita basicamente nas redes sociais. A expectativa em torno dele é grande e, por isso mesmo, a cobrança também o será.

Esta é uma das razões para que os eleitores sejam devidamente esclarecidos sobre a nebulosa movimentação financeira do assessor parlamentar Fabrício Queiroz, que trabalhava para um dos filhos de Bolsonaro. O Coaf detectou que o volume de recursos movimentados na sua conta era incompatível com seus rendimentos. E mais: houve transferência atípica de dinheiro dos demais funcionários do gabinete para sua conta pessoal, seguida de sucessivos saques. A explicação tardia sobre o comércio de carros não convenceu.

Se é para cumprir o que prometeu, de que trabalharia com transparência e puniria com rigor qualquer malfeito de seus assessores, é bom colocar logo tudo em pratos limpos para que o governo não inicie já com uma nódoa que possa comprometer o véu da pureza anunciado ao longo da campanha. Para cobrar a faxina nos ministérios, é preciso passar a vassoura, antes, dentro da própria casa.