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A mancha que cobre 2019

O ano de 2019 começa manchado pelo sangue das mulheres assassinadas, na maioria das vezes, por namorados e ex-maridos. O crime de feminicídio, tipificado em lei desde 2015, passou a ter mais visibilidade, mas nem por isso diminuiu, ao contrário, só na primeira semana deste ano o país já registrou 12 casos. Um deles no interior do Piauí, mais precisamente em Esperantina.

É absurdamente inacreditável que em uma sociedade desenvolvida em pleno  século XXI ainda seja comum que homens agridam suas companheiras, chegando ao extremo de tirar-lhes a vida, simplesmente para afirmarem um sentimento de posse sem razão de existir. As mulheres saíram da esfera doméstica, ocuparam os bancos das universidades, entraram com toda força no mercado de trabalho, passaram a ser ouvidas, mas a mentalidade machista que ainda perdura em muitos seres do sexo masculino não se deu conta da emancipação feminina.

Basta que uma mulher decida pôr fim a um relacionamento, por mais dor que este lhe cause, para que seu companheiro se ache no direito de vingar-se por meio da violência física. E isso acontece em todas as classes sociais, em todas as regiões do Brasil.

A Secretaria de Segurança do Piauí, por iniciativa da delegada Eugênia Villa, desenvolveu um aplicativo denominado Salve Maria, que permite às mulheres fazerem denúncias contra seus agressores. O aplicativo dispõe de um botão do pânico para acionar a viatura mais próxima do local da agressão, a fim de conter o agressor. É um avanço, mas, ainda assim, não está conseguindo conter os valentões.

Os homens de bem devem se juntar às mulheres no enfrentamento dessa dolorosa realidade, pois o que eles assistem hoje pela televisão com mulheres anônimas pode se repetir amanhã com suas filhas, irmãs, sobrinhas. O Brasil inteiro precisa estar unido nessa luta.