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Só armar a população não resolve

O governo cumpre a promessa de campanha e deve editar até a próxima semana, segundo o Ministro da Casa Civil Onix Lorenzoni, o decreto que flexibiliza o porte de armas para os brasileiros. A medida é polêmica e divide a opinião pública. Parte da população aplaude a possibilidade de os cidadãos portarem uma arma em casa, sob o pretexto de se protegerem contra os bandidos.

A preocupação é legítima, se levarmos em consideração o estado de insegurança e medo que toma conta da população, sobressaltada com os constantes atos de violência praticados pelos bandidos. Ocorre que essa é uma medida de eficácia duvidosa. Primeiro, porque a autorização é para que a pessoa mantenha uma arma dentro de casa, e quem vai garantir a segurança nas ruas, onde acontece a maior parte dos crimes?

Outro perigo que existe por trás dessa política de armamento da população é a transferência de uma responsabilidade que é do Estado para os cidadãos que pagam impostos para contarem com segurança pública. O porte de armas é para quem é treinado e tem experiência e sangue frio para manuseá-las.

O risco de os bandidos se apoderarem das armas que estão em posse dos cidadãos de bem e, com elas, se tornarem mais perigosos ainda é enorme. Esta semana, a TV Cidade Verde mostrou o vídeo de um assaltante que invadiu o Hospital Infantil e tomou o revólver do segurança que fazia a guarda daquela casa de saúde. Ora, se eles conseguem tomar a arma até mesmo de um segurança profissional, treinado para portá-la, imagine de uma pessoa comum. A probabilidade de termos mais armas nas mãos dos criminosos é imensa. Sem contar o perigo de que uma briga doméstica, entre vizinhos ou até mesmo no trânsito se transforme em um derramamento de sangue desnecessário.

Precisamos de um aparelho de segurança pública equipado, preparado e bem pago para garantir a paz nas cidades brasileiras. Este não é papel do cidadão.