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Com as barbas de molho

O Ceará está completando treze dias de ataques violentos contra prédios públicos, transporte coletivo e até automóveis privados, em uma total demonstração de afronta ao poder público constituído. Inconformados com a política de linha dura adotada pelo novo secretário da Administração Penitenciária, Luiz Mário Albuquerque, facções criminosas passaram a ordenar, de dentro dos presídios, uma verdadeira onda de terror no Ceará.

O que acontece no estado vizinho revela o estado de inversão que se formou no Brasil. Em vez de sentirem-se intimidados com a força do Estado, os criminosos é que intimidam o governo, ameaçando-lhes e tentando impor ordens para que possam continuar agindo livremente.

Até ontem, 353 pessoas haviam sido presas no estado vizinho. Desse total, pelo menos um terço é formado por menores, que encontram-se apreendidos. Não por acaso, o Instituto Datafolha divulgou pesquisa, neste final de semana, mostrando que 84% dos brasileiros apóiam a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

Evidentemente, uma medida isolada não irá resolver o problema da violência no Brasil, que já se tornou endêmica. O que está acontecendo no Ceará deve servir de alerta para que os demais estados coloquem as barbas de molho e endureçam a disciplina dentro e fora dos presídios. Esta, aliás, é uma das maiores aspirações dos brasileiros e uma das grandes responsáveis por eleger o presidente Jair Bolsonaro. O problema do Ceará não é isolado. O país vai ter que enfrentar o crime organizado e seus tentáculos que se encontram espalhados por todo o país.