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Uma mancha roxa na saúde

Como já é tradição colorir os meses do ano como forma de alerta para a prevenção de algumas doenças, o mês de janeiro tinge-se de roxo para chamar a atenção para a hanseníase, uma doença antiga, que teve seus primeiros registros há 4 mil anos na China, Egito e Índia, e que ainda hoje atormenta a população, sobretudo das regiões subdesenvolvidas.

O Piauí registra um índice alto da doença. Em 2017, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado, foram notificados  1.068 casos, o que representa uma proporção de 33,2 pessoas infectadas para cada 100 mil habitantes. No ano passado, houve um ligeiro declínio, mas ainda assim os números são graves: 962 casos, com uma incidência de 29,7 por 100 mil habitantes.

A hanseníase, a antiga lepra citada em vários textos da Bíblia, é uma doença infecciosa causada por uma bactéria, conhecida como bacilo de Hansen. Ela se manifesta por meio de manchas na pele, normalmente associadas à perda de sensibilidade na área afetada. O tratamento é feito gratuitamente na rede pública de saúde e, se administrado corretamente, pode levar à cura.

Apesar do avanço no tratamento, ainda há um estigma muito forte com relação à doença, que não é transmitida tão facilmente como se imagina. Se o paciente estiver fazendo o tratamento adequado, ele não transmite. Portanto, não precisa ter medo de um simples aperto de mão. A transmissão ocorre mais pelo contato com a saliva ou secreções nasais do paciente que não se trata.

Aqui no Piauí, o Centro Maria Imaculada, mantido pela Ação Social Arquidiocesana, e um dos beneficiados com os recursos da Caminhada da Fraternidade, é referência no tratamento aos hansenianos. Lá, os pacientes são acolhidos, recebem o tratamento adequado, dispõem de fisioterapia e de uma oficina para confecção de calçados para quem já perdeu parte dos membros inferiores. Um serviço de qualidade que ainda precisa de apoio e suporte financeiro para continuar mantendo seu atendimento a contento.