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Mais uma manifestação com cara de remake

Algumas coisas, de tão repetitivas, já se tornaram insuportavelmente chatas. Uma delas é a paralisação anual dos motoristas e cobradores de ônibus. Nada contra a reivindicação justa e legítima por melhores salários e condições de trabalho dignas. É uma aspiração natural de qualquer categoria. O problema é a forma de reclamar o que se acha justo para si.

O conceito de justiça, aliás, parece passar longe dos que encabeçam esse movimento, porque tão justo quanto o salário que eles solicitam é o direito de ir e vir da população de baixa renda que depende do transporte coletivo para ir e vir do trabalho, da escola ou de onde quer que seja.

Anualmente, com data marcada, milhares de pessoas são prejudicadas, perdem o ponto, a prova, o exame médico, o compromisso marcado com antecedência porque os motoristas e cobradores se acham no direito de parar a cidade com uma reivindicação que é só deles. O embate entre a categoria e os patrões sempre acaba se resolvendo no final das contas, mas não antes de causar um transtorno desnecessário à população.

Não é à toa que o sonho de quase todo teresinense, tão logo receba o primeiro salário, é comprar um meio de transporte próprio, para, entre outras coisas, não depender mais desse tipo de chantagem. Hoje foi dia de mais uma operação dessa natureza, já com o recado de que, se não funcionar, haverá novas paralisações. E os usuários do sistema que se danem.