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Nossos heróis estão cobertos de lama

O Brasil, tão carente de heróis, vive a eleger personalidades efêmeras do showbizz ou do futebol para idolatrar. Os heróis de verdade, no entanto, não vieram do palco ou dos gramados, mas da dor nascida na lama de rejeitos que escorreu em Brumadinho, Minas Gerais. É lá que estão os verdadeiros homens dignos de homenagem e aplausos, embora trabalhem no silêncio, sob o cansaço e o peso da dor. Heróis de verdade, mesmo, são os bombeiros e, neste momento, os de Minas Gerais.

O trabalho deles é cansativo. Começa às 4h da madrugada e vai até à noite. As condições são as mais adversas possíveis, com os pés e o corpo atolados na lama tóxica dos rejeitos de minérios que matou dezenas de pessoas - até a última contagem eram 84. O cenário é desolador e, mesmo assim, eles estão lá, trabalhando até o limite da exaustão, resgatando corpos e, acima de tudo, empenhando-se em encontrar sobreviventes.

Em contraponto aos assassinos que ceifaram vidas humanas e o meio ambiente, os bombeiros se doam para resgatar esperanças. A esperança de pais que ainda sonham em encontrar os filhos com vida e de amigos e parentes que acreditam que irão rever os desaparecidos.

Se há algo a ser louvado nessa tragédia anunciada é a coragem e determinação dos bombeiros. Eles, sim, merecem nosso reconhecimento. É na dor que eles se agigantam e mostram até onde pode ir a disposição de um profissional que dedica a sua vida, colocando-a muitas vezes em perigo, para salvar a dos outros.

Como numa irmandade, os bombeiros do país inteiro se colocaram de prontidão para ajudar os colegas de Minas, inclusive os do Piauí. O socorro começou pelos estados vizinhos. A categoria deixa uma lição de unidade, solidariedade, empenho e zelo com a vida humana. É de heróis assim que nós precisamos. E são estes que devem ser festejados.