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Mais uma tragédia

Ainda estamos entalados e enlutados com a sucessão de tragédias que se abateu sobre o Brasil e que culminou ontem com a morte do brilhante jornalista Ricardo Boechat, um dos profissionais mais premiados e admirados da imprensa nacional. Boechat sabia, como poucos, expressar a indignação coletiva diante de injustiças e crimes praticados contra os cidadãos brasileiros.

Corajoso, competente, sincero, ele canalizava a voz de uma nação inteira, ao denunciar e cobrar, sempre que necessário, as atitudes dos gestores públicos que repercutiam na vida da população. Praticava o bom jornalismo, com transparência e isenção, o que o levou a ser elogiado até mesmo por aqueles que já haviam sido alvos da sua crítica afiada, porém correta.

Por ironia do destino, o comentário feito ontem pelo jornalista, antes de viajar para Campinas, falava justamente dos desastres naturais ou provocados pela negligência humana. Não sabia ele que o destino o colocaria como o próximo da lista. Porque a vida tem desses imprevistos: numa hora, estamos altivos, cheios de energia e saúde; no instante seguinte, partimos, sem aviso prévio para que os que ficam possam, pelo menos, se preparar.

O jornalista Ricardo Eugênio Boechat, que ingressou na profissão meio por acaso, como ele mesmo relatou ao projeto Memórias Globo, se apaixonou de tal forma pela notícia, que acabou se tornando uma delas: a mais triste, mais impactante do dia. Com a sua morte, vai um pedaço importante da história da imprensa brasileira. Que das lágrimas derramadas na sua despedida possa brotar o mesmo sentimento de busca incondicional pela verdade e fortalecer ainda mais os colegas que seguem com o propósito de continuar a sua missão.