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Jejum de corrupção

Começou ontem, com a quarta-feira de cinzas, o período da Quaresma,  tempo de recolhimento e conversão para os cristãos se prepararem para a Páscoa do Senhor. Na mensagem do Papa e nas homilias realizadas ontem durante a celebração da imposição das cinzas aos fiéis, o tema era o mesmo: a necessidade da prática de três pilares essenciais para bem viver a quaresma – a oração, o jejum e a caridade.

A oração e a caridade são facilmente compreendidas, mas quanto ao jejum, seu verdadeiro significado foi distorcido ao longo do tempo. Hoje, muitos fiéis consideram que basta a abstenção da carne vermelhar para estarem cumprindo o jejum quaresmal, e refestelam-se com banquetes suntuosos de bacalhau e camarão, quando, na verdade,  o jejum  não se restringe apenas ao consumo de carne.

O Evangelho diz: “rasguem o coração e não as vestes”. Ou seja, não é uma questão apenas ritual, externa. A mudança tem de vir do coração, que precisa converter-se efetivamente. E o jejum não se limita à carne bovina, mas a tudo que faz mal ao outro. Pode ser o jejum da palavra que fere, calunia e difama, como pode ser o jejum da ganância que corrompe e desvia recursos destinados ao bem comum.

Hoje, a Igreja Católica lança a Campanha da Fraternidade, que traz como tema Políticas Públicas, invocando a necessidade da justiça e do direito. Em tempo de Lava-Jato, quando se vê tanto político preso por corrupção e lavagem de dinheiro, a campanha vem reforçar a necessidade do uso de políticas públicas que promovam a dignidade e a cidadania dos brasileiros. Que o exemplo das prisões realizadas pela Lava-Jato seja um estímulo para o jejum permanente da prática da corrupção e da cobrança de propinas em obras públicas.