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Um país dividido entre lágrimas e sangue

O Brasil está se tornando um país irreconhecível. Explosões de ódio e violência acontecem a todo instante, em diferentes lugares, muitas vezes manchando de sangue uma nação que já foi conhecida como cordata. Mesmo quando o fato deveria gerar comoção nacional, como o que aconteceu ontem  em Suzano,  com o massacre que tirou a vida de crianças e jovens inocentes, o que se vê nas redes sociais é um rancor latente, que se volta até mesmo contra quem expressa seus sentimentos de solidariedade.

As redes sociais tornaram-se uma arena repleta de leões partidários, sedentos de sangue, prontos a triturar a primeira pessoa que eles julgam seus desafetos. Não se vê mais o menor esforço para tentar entender a dor e o sofrimento alheios ou, pelo menos, para silenciar diante da perplexidade que tomou a todos de surpresa.

Como alguém pode aproveitar um infortúnio como o do massacre dessas crianças para espalhar ainda mais raiva? É lamentável que o sentimento dominante hoje inspire tanto ódio, quando deveria suscitar justiça, fraternidade e paz. Que espécie de país pode se erguer diante da disseminação do culto à violência, às armas, ao revanchismo sem limite?

Não dá para parar de pensar sobre o que teria levado dois jovens a promoverem tamanha barbárie contra garotos e garotas indefesas. Que espécie de pensamentos estão ocupando a cabeça de nossos adolescentes? Precisamos nos perguntar o que está causando essa doença coletiva na sociedade brasileira, que valores estão sendo cultivados a partir de quem deveria dar o exemplo de harmonia e sobriedade. As nossas referências estão perdidas e profundamente contaminadas por valores mais preocupados em destruir do que em construir.

Chego a sentir uma saudade nostálgica de líderes que se tornaram notáveis por defender a cultura da não violência, como Mahatma Gandhi. Hoje, as massas seguem aplaudindo a construção de muros, a liberação de armas, e se esquecem de promover a paz, a justa distribuição de renda e o afeto indispensável para que os seres possam viver com dignidade a sua condição humana.