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Golpe de Morte

O Brasil assistiu ontem a mais um massacre: desta vez contra o combate à corrupção e ao trabalho desempenhado pela Operação Lava Jato. O Supremo Tribunal Federal – sempre ele- decidiu por 6 votos a 5 que é competência da Justiça Eleitoral julgar crimes comuns associados a crimes eleitorais, como corrupção e lavagem de dinheiro.

Era tudo o que políticos corruptos desejavam. Eles sabem que a Justiça Eleitoral, além de vergonhosamente lenta, não está estruturada para julgar os crimes correlatos. O resultado de ontem pode servir como base para contestação das condenações realizadas até agora pela Lava Jato, que somam 159.

Nem precisa muita imaginação para saber quem votou contra os interesses do povo brasileiro, mas é sempre bom lembrar os nomes de quem recebe os maiores salários do Brasil para trabalhar contra o próprio Brasil. Votaram pela competência da Justiça Eleitoral para julgar os delitos eleitorais e conexos, os de sempre: Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello, Dias Toffoli, Celso de Mello e Alexandre de Moraes.

Os políticos corruptos que enriqueceram ilicitamente devem estar em festa hoje, zombando da cara de quem acreditou que este país realmente estava mudando e que havíamos alcançado o fim da impunidade. Infelizmente, o eleitor também tem sua parcela nesse festival de iniquidade, ao votar em políticos corruptos. Fossem os eleitos cidadãos decentes, nem precisaríamos estar preocupados com a instância que iria julgá-los.

Não são apenas os franco atiradores, como os de Suzano, que tiram a vida de crianças e adolescentes. Quem desvia dinheiro público também está matando a vida de quem poderia estar sendo salvo nos hospitais e escolas de norte a sul do país, mas que estão fechados ou nem sequer foram construídos em razão da corrupção.