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A culpa é do eleitor

O Brasil está atravessando um terremoto político. A prisão do ex-presidente Michel Temer, ontem, como parte da Operação Lava Jato, foi mais um tremor que sacudiu o país dentro de uma sucessão de acontecimentos que têm provocado o abalo de estruturas políticas e sociais. O presidente que substituiu Dilma Roussef, depois que esta foi afastada por impeachment, agora dorme nas dependências da Polícia Federal, acusado de receber mais de R$ 1 milhão em propinas, relacionadas à obra da construção da Usina Nuclear Angra 3.

Se olharmos para a recente história da nossa República, constatamos que, dos últimos presidentes eleitos, dois sofreram impeachment (Collor e Dilma), e dois estão presos pela acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. Tristes relatos para nossos livros de história.

A prisão de Temer ocorre em um momento político crucial para o Brasil, quando o Congresso aprecia a proposta da Reforma da Previdência.  Embora essa prisão já fosse, de certa forma, presumível, depois que o ex-presidente perdeu o fórum privilegiado, ainda assim, muitos parlamentares foram pegos de surpresa e estão agora se questionando sobre o que ainda está por vir.

Uma coisa é certa: o braço da lei está mais forte. Prova disso é que já alcançou ex-presidentes, ex-ministros, ex-governadores e até mesmo ex-presidentes da Câmara. Portanto, pelo menos ao que parece, já não há mais a blindagem de outrora aos poderosos. Se o julgamento sai da esfera do Supremo, então, a sentença se anuncia rápida e certeira.

Com tantas prisões, é hora de o eleitor se indagar sobre os critérios que vem utilizando na hora de fazer suas escolhas. Que tipo de político está sendo eleito? O que vai trabalhar a favor do Brasil ou o que vai manchar nossa história depois, atrás das grades? A responsabilidade está na ponta dos dedos, no momento em que eles tocam a urna.