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Tortura Nunca Mais

 

 

 

Entre as muitas contradições desnecessárias nesse início do governo Bolsonaro, uma se traduz em  desrespeito aos milhares de desaparecidos e torturados durante a ditadura militar que se instalou em 1964. Sim, ditadura, com todas as letras, e não revolução como quer o Presidente celebrar no próximo dia 31 de março, para lembrar a fatídica data em que o Brasil mergulhou na escuridão do autoritarismo.

Foram vinte e um anos de direitos individuais e coletivos suprimidos, sem liberdade de expressão, com jornais e espetáculos artísticos submetidos à censura prévia, práticas de tortura inimagináveis para quem não viveu nesse período tenebroso, que culminou com a decretação do Ato Institucional N° 5, o fechamento do Congresso, e a autorização para o governo decretar estado de sítio, cassar mandatos e intervir em estados e municípios. Isso sem falar que durante todo esse período os brasileiros foram privados do direito de escolher livremente os seus representantes.

É, portanto, um período para ser lembrado com pesar e lágrimas, e não com comemorações festivas. Por isso mesmo, a Defensoria Pública da União entrou com uma ação civil para que as Forças Armadas se abstenham de promover festividades alusivas aos 55 anos do golpe militar. É a voz do bom senso prevalecendo em respeito a tantas famílias que perderam seus parentes nos porões da ditadura.