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Um tiro no pé

O Supremo Tribunal Federal armou a pontaria contra a liberdade de expressão e acabou acertando o próprio pé ao tentar trazer de volta, das sombras da ditadura, o instrumento da censura. A publicação da reportagem “ O amigo do amigo do meu pai” talvez nem tivesse o alcance que obteve agora, depois que o presidente do STF, Ministro Dias Toffoli, decidiu entrar em cena com a tesoura na mão.

Esquece o ministro que, depois de décadas de lutas e muitas mortes, vivemos hoje em um estado democrático de direito, que deveria ser defendido por ele, como presidente da Suprema Corte. E em uma democracia não há espaço para censura, mas para o contraditório. Aliás, ele foi procurado pela Revista Cruzoé, mas se recusou a responder os questionamentos feitos pelos jornalistas, preferindo agir de forma autoritária, com o apoio do colega, ministro Alexandre de Moraes.

Além do mais, depois da invenção das redes sociais é absolutamente impossível segurar qualquer informação. Bastou o ministro pedir a censura da reportagem para o texto se disseminar nos grupos virtuais com a velocidade da luz. E é justamente de luz que nós, brasileiros e brasileiras, precisamos para tirar das trevas tudo que tentam nos ocultar, até porque a democracia se sustenta sob a luz da verdade.

Ainda por cima, o STF criou um atrito desnecessário com a Procuradoria Geral da República. Não se quer desmoralizar, tampouco fechar o Supremo Tribunal Federal, como insinuam alguns extremistas. Esta é uma instituição indispensável para a sociedade, mas precisa funcionar de forma transparente, clara e sem autoritarismo como se seus integrantes fossem deuses intocáveis. Definitivamente, não o são.