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A preocupação com o país vizinho

A que ponto chegou o esgarçamento do tecido social venezuelano, depois de anos de crise econômica e política? Ontem, o país viveu um dia turbulento de protestos pelas ruas, convocados pelo líder oposicionista Juan Guadió que, desde o dia 23 de janeiro, autoproclamou-se presidente interino da Venezuela, com o apoio de vários países, incluindo o Brasil.

O levante denominado “Operação Liberdade” estava previsto inicialmente para hoje, 1º de maio, mas diante dos rumores de que poderia ser preso nessa data, Guaidó resolveu antecipar a convocação popular, que terminou em pancadaria e muita violência nas ruas. Parte da população atendeu ao chamado do jovem líder das oposições, mas a velha guarda das forças armadas manteve-se fiel a Maduro, garantindo, pelo menos por enquanto, a sua permanência no poder.

A questão agora é saber até onde um e outro lado conseguirá resistir. Até quando Juan Guaidó terá força política para continuar mobilizando a população insatisfeita com a recessão, o desabastecimento, a censura e as constantes faltas de serviços básicos, como energia elétrica? Ou Nicolás Maduro terá fôlego suficiente para permanecer no Palácio de Miraflores, diante da pressão internacional e interna?

 A situação no país vizinho é por demais preocupante e, inevitavelmente, respinga aqui no Brasil. Basta olhar para o número de venezuelanos que estão procurando abrigo em solo brasileiro, em busca de paz, trabalho e dignidade. Três coisas essenciais para a vida humana e cada vez mais raras na Venezuela.