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É só seguir o dinheiro

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região derrubou a liminar que havia garantido a liberdade ao ex-presidente Michel Temer e ao seu amigo, o Coronel João Baptista Lima. Os dois forram presos na Operação Descontaminação, um desmembramento da Lava Jato, acusados de participação no desvio de R$ 1,8 bilhão da Usina Nuclear Angra 3.

Temer que, no fundo, já esperava por isso, recebeu a informação com serenidade aparente e, ainda ontem à noite, concedeu entrevista, dizendo que irá se apresentar hoje à polícia e que seus advogados irão recorrer ao Superior Tribunal de Justiça.

Com Temer, o Brasil assiste ao segundo ex-presidente da República preso, acusado de corrupção. Além dos dois ex-presidentes, temos ainda o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e os últimos governadores do Rio de Janeiro. O ex-governador de Minas, Aécio Neves, do PSDB, aguarda na fila a sua vez.

Muitos desses desdobramentos só foram  possíveis porque os investigadores seguiram o curso do dinheiro. Por isso mesmo, muitos políticos enrolados com transações tenebrosas tentam tirar o COAF das mãos do ex-juiz e agora ministro Sérgio Moro. Eles sabem que o rastro do dinheiro é o caminho mais curto para se chegar aos que desviam o dinheiro público. Mais um motivo para os brasileiros pressionarem os seus representantes no Congresso a deixarem o COAF sob os cuidados de quem irá fazer bom uso dele.