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Previdência gasta R$ 83 bi com acidentes de trabalho

Enquanto o governo trava uma batalha gigantesca para convencer a população e o Congresso sobre a necessidade da aprovação urgente da reforma da previdência para tentar equilibrar as contas públicas, o presidente propõe uma outra medida que surge como um paradoxo à realidade que estamos vivendo.

O Planalto quer reduzir as normas regulamentadoras de segurança e saúde no trabalho vigentes no país, achando que, com isso, vai descomplicar a vida das empresas e estimular o emprego. Ledo engano. As tais normas, quando cumpridas à risca, representam uma economia para o empregador e para a Nação.

Hoje,o Brasil ocupa a triste posição do 4º país do mundo em número de acidentes de trabalho. Os dados coletados pelo Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho do MPT revelam que, no período de 2012 a 2018, foram registrados  cerca de 4,738 milhões de acidentes de trabalho, com 17.315 mortes. Isso mesmo! Mais de dezessete mil pessoas perderam a vida em acidentes de trabalho que poderiam ter sido evitados se as normas regulamentadoras, essas mesmas que o presidente quer reduzir, fossem cobradas com mais rigor, com a consequente punição aos responsáveis, quando desrespeitadas.

Na ponta do lápis, os números mostram que o Brasil registra uma média de um acidente de trabalho a cada 49 segundos. Se a dor dos sequelados e a perda de vidas humanas não são suficientes para sensibilizar os governantes, vamos ao números da economia.

No mesmo período analisado pelo Observatório, houve 370.174.000 dias de afastamento previdenciário, com efetiva perda da produtividade. E mais: custaram aos cofres públicos R$ 83 bilhões em benefícios acidentários. Para completar, a Organização Internacional do Trabalho relata uma perda anual de 4% do PIB com acidentes e doenças do trabalho. Ainda dá para duvidar de que, neste caso, também, é melhor prevenir do que remediar?