Cidadeverde.com

Chamem os bombeiros

Em menos de seis meses da sua posse, o governo Bolsonaro já não vive mais a lua de mel tão comum ao início de mandato dos presidentes. E, se a relação vai mal, para usar as metáforas matrimoniais tão apreciadas pelo capitão, é muito por sua própria culpa. Bolsonaro foi eleito com grande respaldo e expectativa popular, montou um ministério com alguns notáveis, o que lhe conferiu certo respaldo, mas acabou se encarregando de desconstruir a imagem de que seu governo colocaria o Brasil nos eixos e traria a prosperidade outra vez aos brasileiros.

Esta será uma semana difícil, um teste delicado para o presidente.  Ele tem menos de 15 dias para aprovar 11 medidas provisórias que correm o risco de expirar, caso não sejam votadas pelo Congresso. Uma delas é a que reduziu o número de ministérios de 29 para 22. A Reforma da Previdência também precisa ser acelerada porque os números da economia não param de piorar. O dólar ultrapassou a barreira dos R$ 4, a gasolina está encostando nos R$ 5 e o número de brasileiros desempregados já chega a 13 milhões.

Como se não bastasse, as investigações em torno do filho Flávio incendeiam o ambiente político ao revelarem uma aproximação indesejada com as milícias e uma possível lavagem de dinheiro. Bolsonaro, sem uma base consolidada na Câmara e no Senado, se encarrega de criar um fosso à sua volta, com declarações absolutamente desnecessárias, que em nada contribuem para a construção do projeto de país anunciado por ele durante a campanha.  Para tentar demonstrar que ainda conta com o apoio das ruas, decidiu convocar uma manifestação popular para o próximo domingo. O silêncio, aliado ao trabalho de bastidores para costurar uma sustentação política consistente, traria resultados muito mais positivos do que o barulho inconsequente, com falas que, até agora, só têm servido para espalhar brasas.

O presidente ainda não entendeu que, neste momento, o Brasil está precisando mais de bombeiros do que de atiradores de elite.