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Moro está encolhendo no ministério

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, que construiu uma elogiável biografia ao defender com firmeza o combate à corrupção na Operação Lava Jato, recuperando R$ cerca de 12 bilhões aos cofres públicos e prendendo líderes outrora intocáveis, vê-se agora diminuído depois de assumir um cargo de primeiro escalão no governo Bolsonaro.

Quando o presidente o convidou para ocupar o Ministério da Justiça prometeu-lhe carta branca na sua pasta. Sérgio Moro foi apresentado à sociedade como um trunfo da nova equipe, representante de um conjunto de notáveis que iriam administrar o país. Para isso, ele pediu exoneração do cargo de juiz que havia lhe conferido notoriedade no Brasil e no exterior.

Desde que assumiu o ministério, no entanto, Sérgio Moro vem enfrentando sucessivos reveses, a começar pelo decreto de flexibilização do porte de armas, ao qual era contrário. Outra derrota de Moro se deu com a retirada da proposta de criminalização do Caixa 2 do projeto anticrime encaminhado ao Congresso. A proposta irá tramitar separadamente, com mais chances de ser derrotada pelos parlamentares, que não têm o menor interesse de ver uma prática corriqueira entre eles tornar-se crime.

Mais tarde, o ministro da Justiça passou pelo constrangimento de ter que voltar atrás no convite à cientista política Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, ligado à sua pasta, por divergências políticas entre a sua candidata e os extremistas que apoiam o presidente.

Por fim, ontem à noite, a Câmara Federal retirou o COAF do Ministério da Justiça para devolvê-lo ao Ministério da Economia, podando um importante instrumento de rastreamento de crimes cometidos contra o Erário. Em apenas cinco meses de governo, os planos e sonhos do combativo juiz vão se desmanchando ante às pressões políticas e ideológicas, e o imbatível juiz federal cede lugar a um desidratado ministro que fica cada dia mais fraco.