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Neymar e a "regra de ouro"

Está expirando o prazo para que o Congresso autorize o governo a emitir títulos de dívida pública no valor de R$ 248,9 bilhões, dinheiro necessário para bancar programas sociais como o Benefício de Prestação Continuada, que paga pensão a idosos carentes, ou o Plano Safra, que oferece crédito a juros mais baixos aos produtores rurais.

O caixa do governo só garante o pagamento desses programas por poucas semanas. Caso o Congresso não aprove o pedido do Planalto em tempo hábil, restam duas alternativas delicadas ao presidente: ou suspende os benefícios, agravando ainda mais a crise econômica do país, ou paga mesmo assim, e corre o risco de sofrer um processo de impeachment.

O governo depende do voto dos parlamentares porque a emissão de dívida para bancar despesas correntes fere a chamada “regra de ouro”, como determina a Constituição. O presidente só pode adotar tal medida com o aval do Congresso. Mais um motivo para que o Bolsonaro comece a entender a necessidade de manter uma relação harmoniosa com os congressistas. Harmoniosa não quer dizer subserviente, apenas respeitosa, sustentada no diálogo e na diplomacia palaciana.

A situação do Brasil é bastante delicada. As expectativas otimistas dos empresários para este ano já migraram para o ano de 2020. Quem diz isso é o presidente da Iguatemi Empresa de Shopping Centers, Carlos Jereissati Filho. Ele disse em entrevista que, sem perspectiva de estabilidade, não se pode fazer investimentos com retorno no longo prazo. Significa que todos os planos de investimento para abrir e ampliar empresas estão dormindo na gaveta, esperando que a economia se estabilize.

Enquanto isso, a nação inteira está preocupada com as estripulias sexuais do jogador Neymar e de uma moça que partiu do Brasil, com as despesas pagas por ele, para uma aventura em Paris. Quando os bastidores da alcova de um atleta  despertam mais interesse do que a estagnação econômica do país, com todas as consequências desastrosas que ela traz, é sinal de que não estamos nada bem.