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Reforma boa é a que vale para todos

O relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP,) ajudou a aumentar o problema gigantesco já enfrentado por governadores e prefeitos de todo o Brasil, ao retirar estados e municípios da proposta. O déficit previdenciário, como se sabe, não está restrito à União. É uma equação que não fecha em todas as instâncias, em razão da mudança na base da pirâmide etária. O Brasil está envelhecendo graças aos avanços da medicina e da queda na taxa da natalidade e, como consequência, há mais idosos dependendo da aposentadoria.

Deixar estados e municípios fora da reforma é aprofundar ainda mais um abismo já existente entre receita e despesas, levando os gestores a quebrar cabeça com um desequilíbrio fiscal que compromete a administração pública. Não dá para fazer política nessa hora em que os Estados estão praticamente falidos. Deixá-los fora da reforma é comprometer o pagamento das aposentadorias em um futuro bem próximo.

Aqui no Piauí, o déficit previdenciário chega a R$ 1,49 bilhão por ano, segundo o presidente da PIPREV, Marcos Steiner. E a explicação está na proximidade entre o número dos que contribuem para o sistema e dos que se beneficiam dele. O Estado possui 87.648 servidores em sua folha de pagamento. Desse total, 45.060 são ativos e 42.588 inativos. A proporção é de quase um para um e, desse jeito, é claro que a conta não fecha.

Ou os estados e municípios são incluídos na reforma ou, dentro de pouquíssimo tempo, eles não terão mais como pagar seus aposentados. Não é hora, pois, para fazer demagogia porque o tema é sério e urgente, já que dele depende a sobrevivência de milhões de idosos em todo o Brasil.