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A mala e o preço da passagem

A emenda parlamentar que garantia a volta da franquia de um volume de bagagem de até 23 kg nos voos domésticos e internacionais foi vetada ontem pelo presidente Jair Bolsonaro, para desgosto dos passageiros que, até hoje, não se conformam em ter de pagar um valor adicional para despachar a bagagem. Desde que essa medida entrou em vigor, a disputa pelos espaços a bordo é grande. Às vezes, gera até discussões dentro das aeronaves.

Quando foi autorizada a cobrança, a justificativa é que o preço da passagem iria baixar, o que não aconteceu. Ao contrário, agora, além de pagar pela mala despachada, o passageiro ainda tem de pagar pela marcação do assento. E a passagem continua cara, caríssima, a despeito de a qualidade do serviço ter caído consideravelmente.

Mas a verdade é que a situação financeira das companhias aéreas não é nada boa. E isso acontece em todos os países, basta ver que, só no ano passado, 22 empresas de aviação faliram no mundo. Entre as razões para essa decadência estão os altos custos operacionais do setor e os grandes riscos a que estão submetidas.

Aqui no Brasil, a Latam já anunciou a devolução de cerca de 20 aviões; a Gol acumula uma dívida de R$ 16 bilhões e a Avianca  já entrou com pedido de recuperação judicial.Por isso, a medida provisória, editada ainda no governo Temer, permite a participação de até 100% de capital estrangeiro nas aéreas. É uma tentativa de recuperar a saúde financeira dessas companhias.

De qualquer forma, o passageiro segue voando sem qualquer conforto ou comodidade, amargando uma conta alta por uma prestação de serviço cada vez pior. Não demora e chegará o dia em que o cliente terá que pagar um adicional pelo simples fato de ter direito a voar sentado.