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Como votaram os senadores piauienses no decreto das armas

O presidente Jair Bolsonaro sofreu ontem uma das suas maiores derrotas no parlamento, se levarmos em conta a simbologia da votação. Ainda candidato, o capitão Bolsonaro sustentou sua campanha com a promessa de flexibilizar a posse de armas de fogo para que a população pudesse, ela própria, se defender, como se isso não fosse obrigação do Estado. Já presidente, armou-se até os dentes para que os parlamentares aprovassem o decreto que alarga o direito à posse de armas a várias categorias.

O decreto das armas foi derrotado no Senado por 47 votos a 28, a despeito de todas as pressões exercidas sobre os senadores que pensavam contrário à ideia armamentista. Do Piauí, votaram a favor do decreto do presidente os senadores Ciro Nogueira (PP) e Elmano Férrer (Podemos). O senador Marcelo Castro (MDB) votou contra.

A obstinação do presidente Bolsonaro em armar a população lembra a birra de Donald Trump, nos Estados Unidos, com a construção do muro na fronteira com o México. Ambos se elegeram levantando essas duas bandeiras polêmicas que dividem a opinião pública. Tanto lá como cá, pelo menos até agora, os projetos presidenciais não vingaram. Na América do Norte, a queda de braço entre o presidente e o Congresso chegou a parar o país por vários dias até que fosse votado o orçamento, sem os recursos pretendidos para a construção do muro da discórdia. Aqui no Brasil, Bolsonaro já pensa em um plano B para levar adiante o seu decreto: ele pretende questionar no Supremo Tribunal Federal a decisão do Congresso que impôs a derrota de ontem.

Enquanto o presidente e sua “enoturage” brigam por mais armas na sociedade, o país continua à deriva quanto a um projeto de educação consistente que ponha fim ao analfabetismo, promova o desenvolvimento e combata a desigualdade social. Esta, sim, a melhor proteção a que o Brasil pode aspirar.